
| [Dicas - Audiovisual] - Roteiros |
|
| Em 10/02/2008, por Suburbia | ||||
|
Estamos iniciando uma série de artigos com dicas sobre produção audiovisual. O intuito é dar aos nossos colaboradores e visitantes informações úteis para que possam produzir seus próprios vídeos e publicá-los em nosso portal. As informações colocadas aqui são apenas observações de experiências práticas de nossa equipe em diversas situações reais de produção e que muitas vezes não se baseiam no conhecimento teórico ou acadêmico formal, nem substituem a formação tradicional em escolas e cursos, ficando a critério do leitor avaliar se estas informações servem a seus objetivos e práticas de produção audiovisual.
De qualquer forma, acreditamos que a atividade audiovisual tem na experimentação uma característica intrínseca a seu desenvolvimento e assim acreditamos que além do aprendizado teórico e acadêmico tradicional, a principal fonte de conhecimento está no ato de se arriscar e entrar em terrenos desconhecidos que nos levam ao limite de nosso poder criativo e realizador, neste caso, partindo para a prática total da produção audiovisual. Iniciaremos esta série falando sobre a criação de roteiros, pois além de ser o primeiro passo é também um dos principais e mais importantes aspectos na realização de um filme ou vídeo. Muitas vezes um ótimo roteiro compensa eventuais deficiências técnicas de produção e envolvem o público de uma forma bastante intensa. Por isso a primeira dica é dar muita atenção a fase de criação do roteiro, usando o tempo que for necessário para desenvolvê-lo e aperfeiçoá-lo, sem nenhuma pressa. Mesmo para aqueles que pretendem realizar vídeos documentários, a elaboração do roteiro (e da pesquisa de conteúdo) em conjunto com as informações à seguir podem ser bastante úteis. Com os devidos ajustes nos objetivos e no desenvolvimento das idéias, as necessidades serão as mesmas para alcançar um ótimo resultado final.
DESCOBRINDO A IDÉIA INICIAL Tudo começa com um conceito bastante simples, "um filme (ou vídeo) pode surgir de qualquer coisa". Uma frase, uma imagem, um sonho, uma notícia, um objeto, um sentimento, uma cidade, qualquer coisa pode, mesmo indiretamente, servir de inspiração para iniciarmos um projeto audiovisual. Esta será a primeira motivação para o desenvolvimento de um roteiro, e o foco de atenção para o autor deverá ser um questionamento sobre os motivos escondidos por trás dessa idéia inicial. O que queremos dizer realmente? para quem queremos falar? e por quê? Apenas com estes questionamentos simples, já é possível ter uma visão mais ampla do tipo de obra audiovisual que poderemos realizar. DESENVOLVENDO UM ARGUMENTO Uma idéia solta no espaço talvez não consiga dizer muito do que se pretende realizar, principalmente quando devemos convencer outras pessoas a participar de um projeto e, posteriormente, convencer o público. Então, é natural que o desenvolvimento de um argumento (uma sintese melhor estruturada da história que pretendemos contar) que busque definir certas opções estéticas e conceituais seja o próximo passo. De uma forma simplificada, sempre pensando em como descrever melhor e ampliar a idéia inicial, devemos tentar responder a seis perguntas básicas (referentes a história que estamos querendo contar): O que? (tema central); Quem? (personagens); Quando? (época, horário); Como? (conflitos e tramas); Onde? (locais); e Por que? (motivações para as personagens e para as situações). A partir daí teremos todos os elementos para formular nossa tese, embasada conceitualmente e intelectualmente, e desenvolver um roteiro onde estarão bastante claras: a opção estética (não apenas visual, mas também narrativa e estrutural), a temática a ser abordada, os elementos cênicos (personagens, ambientes, etc.) e as tramas que envolvem todos esses elementos dentro da história. DEFININDO CONCEITOS E EMBASAMENTO Por trás de qualquer história, por mais simples e banal que ela seja, sempre há elementos que remetem a reflexões e questionamentos intelectuais, morais, éticos, filosóficos, existenciais, etc.. É opção do autor destacar ou não estas possibilidades de interpretação para sua obra. Entretando, é sempre aconselhável oferecer ao expectador o que podemos chamar de "camadas de percepção" que permitem a apreciação de uma obra tanto de um ponto de vista apenas de entretenimento quanto de um ponto de vista mais intelectual ou de reflexão. A forma de encontrar e definir estas "camadas" está em promover leituras e discussões (preferencialmente com pessoas envolvidas com o projeto e sintonizadas com os objetivos do autor) para descobrir todos os possíveis desdobramentos que uma simples ação ou atitude de uma personagem podem gerar, e quais serão relevantes para o desenvolvimento do roteiro e do projeto. DESENVOLVENDO AÇÕES E DIÁLOGOS Depois que as idéias para o roteiro foram devidamente catalogadas e organizadas em um argumento bem construído, chegamos à etapa em que efetivamente começamos a pensar em como as idéias serão transformadas em uma obra audiovisual. Este é o momento de delimitar o roteiro em sequências, cenas, ações e diálogos de modo que ele possa ser transportado para o vídeo ou filme, de forma fiel às idéias do autor. Em geral, uma cena corresponde a uma ação contínua de uma ou mais personagens em uma determinada locação e/ou situação. Lembrando que esta cena, no momento da edição, poderá ser fragmentada e intercalada com outras cenas, mas que neste momento deverá ser pensada inicialmente como uma cena contínua, deixando de lado um pouco as preocupações do momento da edição (afinal, ainda nem começamos nosso projeto). A definição dos planos e enquadramentos também será realizado porteriormente, portanto esta não deveria ser uma preocupação nesse momento, embora seja importante incluir, na descrição dos ambientes e das ações, dicas de como a cena deveria ser vista. O importante é ter clareza das possibilidades técnicas de edição e montagem para que uma cena seja construída de modo que ela contribua para a narrativa e para as outras cenas. Assim que conseguir definir as ações de cada momento da história e agrupá-las em cenas e sequências, tenha especial cuidado à criação dos diálogos das personagens. Um dos principais problemas nos roteiros encontram-se nos diálogos, pois mesmo com grandes cenas, atmosferas e ambientações, toda a atenção do público se volta para uma personagem com um texto fraco ou mal escrito. Tente escrever de acordo com a personalidade e com os conflitos da personagem, leve em consideração a época em que se passa a história, o local, a atmosfera geral da cena, o estado emocional do personagem, etc. Um bom diálogo deve parecer natural e transparente. O público não deveria se distrair com as palavras sendo ditas enquanto outras coisas acontecem na tela. Obviamente, cada caso é um caso e o bom senso e objetivo do autor é que devem dar a palavra final. Cabe notar que atores de teatro com pouca experiência em vídeo ou cinema, tendem a carregar na interpretação dos textos, devido a natureza mais alegórica e enfática dos espetáculos de teatro. No cinema e vídeo, em geral, busca-se a interpretação mais natural, como as pessoas são normalmente. Por isso não é raro encontrarmos pessoas comuns, com pouca ou nenhuma experiência anterior, conseguirem otimos resultados de interpretação em cinema ou vídeo (mas isto também não é uma regra). RESOLVENDO PROBLEMAS Por fim, recomendamos, mesmo após terminado o desenvolvimento do roteiro, revisar e rediscutir este roteiro de tempos em tempos para que o autor e/ou o diretor tenham uma visão distanciada das coisas que escapem das armadilhas do condicionamento mental e da visão estreita em certos aspectos do roteiro (que ocorrem quando o autor passa muito tempo em contato com sua obra). Pedir a pessoas de confiança e envolvidas com o projeto sua opinião crítica é um ótimo indicador do quanto o roteiro ainda precisa ser lapidado. Há uma idéia geral de que um roteiro nunca está terminado, e que o filme ou vídeo fica pronto antes que todas as questões do roteiro tenham sido resolvidas. Portanto, tenha sempre a mente aberta para as mudanças principalmente quando os atores começarem a estudar seu roteiro e quando sua equipe começar a produzir o filme ou vídeo. CONCLUSÃO Pois bem, ao longo deste texto você deve ter percebido o quanto a tarefa de criar um roteiro pode ser complexa e extensa. Cada objeto, cada ação, cada personagem dá origem a uma série de implicações e interferências que deverão ser orquestradas pelo roteirista e depois pelo diretor. Mesmo partindo de uma idéia muito simples, o roteirista e/ou diretor devem explorar até a exaustão todas as possibilidades decorrentes da idéia original para que encontrem os caminhos e as razões para contar essa história de forma clara e cativante a seu público. Também deve ser dada atenção a todos os desdobramentos possíveis decorrentes do próprio processo de produção do filme ou vídeo, como interferências da equipe, do elenco, das limitações de recursos, das locações, etc., de forma que, como autor e/ou diretor, você não se frustre com possíveis mudanças de curso durante o projeto. Esperamos que estas dicas sejam úteis e ajudem a realização de mais e melhores obras audiovisuais. Se acreditar que outras informações podem ser incluídas ou que alguma dessas informações estão equivocadas, sinta-se à vontade para deixar seus comentários.
Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved. |
||||
| A arte como extensão do homem (da periferia) |
|
Em 14/02/2008, por Camila Putti A arte tem o poder de renovar a convivência entre as pessoas. Num ambiente marcado pela exclusão, pela violência e falta de perspectivas, é ela que transforma e humaniza as grandes periferias. A produção artística nos subúrbios cria um mundo imaginário (mas real!) onde se é possível conhecer o outro e, principalmente, a nós mesmos. A cultura suburbana explora o local, o espaço de convivência, o cotidiano, o que é incômodo. Seus artistas convertem suas experiências numa existência inovadora, onde a conquista do ser e da própria identidade é, quase sempre, alcançada. As grandes influências da arte feita na periferia vêm de lutas antigas por espaço e visibilidade. Artes que resgatam raízes, costumes, história. O hip hop, o grafite, o audiovisual independente, as danças folclóricas, a música alternativa. Tudo produzido num contexto árduo, com poucos recursos, pouco incentivo e um tanto de discriminação. |
|
| Leia mais... |