
| Arte Digital: busca pelo reconhecimento e aceitação |
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| Em 21/02/2008, por Camilla Putti | ||||
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Já é tempo de adaptarmos a máxima de Glauber Rocha para "um computador entre as mãos e uma idéia na cabeça". Não? Ou melhor, "um celular na mão e um curta na cabeça"? Bom, não importa. Para a arte digital qualquer objeto tecnológico é válido para fazer uma obra artística rompendo, assim, os limites da relação homem-máquina. Com computadores, softwares e tecnologias de última geração, a arte adquire novos conceitos, tendências, e gera divergências nas opiniões de grandes estudiosos da área. Uns, defendendo que esta se mantém à margem da arte contemporânea; outros, que a arte digital é a concretização de experiências estéticas que os outros meios não possibilitavam anteriormente.
Nos micros, é que os artistas digitais exploram sua criatividade, aliando sensibilidade a programas como Photoshop, Maya, Corel Draw, Illustrator e vários outros. A partir daí, surgem a pintura digital, o desenho digital, o pixel art, a net art, filmes de bolso, e inovadas formas de interação entre artista e espectador. Integrar imagens, sons, textos e distorções resultam numa arte mais elaborada, dinâmica e interativa. O computador oferece um variado de possibilidades para o artista. Este passa a ser mais que um criador, torna-se um programador; e sua obra de arte, refém de seus desejos mais inusitados. É inegável que a arte digital já faça parte do cenário contemporâneo. Vivemos rodeados por novas tecnologias, e seria insensato demais desprezar este tipo de arte. As novas mídias devem ser exploradas no sentido de contribuir para a produção artística, mesmo quando a combinação tecnologia/arte parece, num primeiro instante, como água e óleo. Contudo, a poesia artística é expansiva e, como a água, toma a forma de seu recipiente. Por isso, no ambiente tecnológico, a arte deve desafiar os preconceitos, e seus artistas expressar suas idiossincrasias.
Mesmo rejeitada por muitos curadores, a arte digital tem conquistado visibilidade em espaços de exposição. Até o dia três de março, por exemplo, acontece "A Arte do Pixel" no Espaço Cultural Banco do Brasil. As obras produzidas no computador são da artista Alessandra Busanelli. Nesta semana também começou, no Rio Grande do Sul, o FILE, Festival Internacional de Linguagem Eletrônica. Já há oito anos, esse festival tem a intenção de incentivar, por meio de exposições e debates, a arte eletrônica e digital. Em agosto, o festival será realizado em São Paulo. (saiba mais em www.file.org.br). Filmes produzidos com celulares também são cada vez mais impulsionados pelos festivais. No Brasil, infelizmente, o "audiovisual de bolso" ainda é bem recente. Os celulares com boa resolução e qualidade de vídeo ainda são muito caros, o que restringe a produção. Ainda assim, o número de vídeos brasileiros aumenta a cada ano nos festivais. Ano passado, o vídeo Moysés, Dentista, de Igor Amin e Rodrigo Pazzini concorreu a prêmio no Festival Internacional Pocket Films. A maioria dos vídeos de bolso são produzidos por pessoas que nunca tiveram, anteriormente, a experiência de filmar. Mesmo com poucos recursos, estas pessoas criam filmes interessantes e de qualidade, democratizando a arte e o cinema curta metragem. Embora esta arte pós-moderna ainda seja polêmica - bem vinda, de um lado; e assinalada como inferior, do outro - a arte digital é atual e condizente com seu novo tempo e espaço, onde a tecnologia impera. Evidentemente, tais produções irão alterar as formas de apresentação artística. Mas se levarmos em conta que a função elementar da arte é despertar sentidos e percepções, a junção tecnologia/arte só colabora para a expansão da capacidade criativa e inovadora do ser humano.
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| A arte como extensão do homem (da periferia) |
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Em 14/02/2008, por Camila Putti A arte tem o poder de renovar a convivência entre as pessoas. Num ambiente marcado pela exclusão, pela violência e falta de perspectivas, é ela que transforma e humaniza as grandes periferias. A produção artística nos subúrbios cria um mundo imaginário (mas real!) onde se é possível conhecer o outro e, principalmente, a nós mesmos. A cultura suburbana explora o local, o espaço de convivência, o cotidiano, o que é incômodo. Seus artistas convertem suas experiências numa existência inovadora, onde a conquista do ser e da própria identidade é, quase sempre, alcançada. As grandes influências da arte feita na periferia vêm de lutas antigas por espaço e visibilidade. Artes que resgatam raízes, costumes, história. O hip hop, o grafite, o audiovisual independente, as danças folclóricas, a música alternativa. Tudo produzido num contexto árduo, com poucos recursos, pouco incentivo e um tanto de discriminação. |
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