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A arte como extensão do homem (da periferia) E-mail
Em 14/02/2008, por Camila Putti
A arte tem o poder de renovar a convivência entre as pessoas. Num ambiente marcado pela exclusão, pela violência e falta de perspectivas, é ela que transforma e humaniza as grandes periferias. A produção artística nos subúrbios cria um mundo imaginário (mas real!) onde se é possível conhecer o outro e, principalmente, a nós mesmos. A cultura suburbana explora o local, o espaço de convivência, o cotidiano, o que é incômodo. Seus artistas convertem suas experiências numa existência inovadora, onde a conquista do ser e da própria identidade é, quase sempre, alcançada.

As grandes influências da arte feita na periferia vêm de lutas antigas por espaço e visibilidade. Artes que resgatam raízes, costumes, história. O hip hop, o grafite, o audiovisual independente, as danças folclóricas, a música alternativa. Tudo produzido num contexto árduo, com poucos recursos, pouco incentivo e um tanto de discriminação.

Nestas regiões, a arte exerce muito mais que uma função catártica, atuando também como um agente social, uma vez que eleva o indivíduo da condição de esquecido ou excluído para a de produtor independente, pintor, cantor, dançarino, repentista, grafiteiro, etc. Deste modo, ganhando um reconhecimento que, de uma outra forma, dificilmente lhe seria atribuído. É no bairro, na comunidade, no gueto, que o artista fideliza o seu público. Mantendo com este, uma relação intensa e aberta. E muitas vezes, seu público torna-se um "co-artista" de suas produções. Porque nos subúrbios, a distância entre um e outro é pequena. Ambos fazem parte de uma mesma totalidade, em que a arte e a manifestação da cultura agem como instrumentos de afirmação.

A importância da arte na periferia se fundamenta no resgate das raízes culturais de seus moradores e na elevação de sua auto-estima. Ela faz o indivíduo pertencer a sua comunidade e se sentir pertence dela, causando um importante processo de transformação nesta micro-sociedade. É fora dos grandes centros urbanos  que se percebe a necessidade de se valorizar o que é autêntico, o que é peculiar, o que é próprio de cada grupo. A arte torna-se, então, um caminho de descobertas, de trocas, de potencialização. Faz o artista se conectar com o mundo e fazer parte de uma extensão muito maior que sua vida cheia de adversidades e lutas diárias.

Sua função nas periferias vai muito além da "desmarginalização". A arte e a cultura  formam um novo indivíduo, com mais habilidades, mais sensibilidade - no que diz respeito a percepção -, com mais esperança, com mais respeito ao seu próprio país que o coloca na situação de marginalizado. Elas trazem para a periferia uma segunda chance. Um escape do dia-a-dia. Transforma esta sociedade num espaço mais solidário, mais produtivo, mais rico, e efervescente.


Comentários
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Erick Amirat - Arte na periferia - (21/02/2008 - 19:09:46)
Acredito que a arte da periferia é muito marginalizada e banalizada por que vive no "centro". Muita gente acha que grafitagem é pixação de gente desocupada e sem perspectiva de vida. Mas há muita imaginação, criatividade e arte por trás de uma grafitagem. Isso só para entrar no mérito da arte dos muros. Sem contar as oficinas de hip-hop e trabalhos voluntários realizados nas favelas. A arte da periferia, na minha opinião é uma das maiores e mais importantes expressões de arte das grandes cidades, não só pela arte em si, mas também pelo caráter educativo, já que ela é um grande fator de atração do menino para que ele não entre no mundo da criminalidade, que diarimanente bate na porta dos mais excluídos pela sociedade.
Excelente artigo !!! Parabens...
Chris Souto (25/02/2008 - 22:38:53)
Texto muito interessante, que me fez pensar nessa arte de periferia e ver que por tras da marginalidade existente nos grandes centros urbanos, existem muitas pessoas dispostas a contribuir com a arte.
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"quando as dificuldades e obstáculos do cotidiano transformam-se no poder criativo e libertador do indivíduo, deflagrando a arte."
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A arte como extensão do homem (da periferia)
Em 14/02/2008, por Camila Putti
A arte tem o poder de renovar a convivência entre as pessoas. Num ambiente marcado pela exclusão, pela violência e falta de perspectivas, é ela que transforma e humaniza as grandes periferias. A produção artística nos subúrbios cria um mundo imaginário (mas real!) onde se é possível conhecer o outro e, principalmente, a nós mesmos. A cultura suburbana explora o local, o espaço de convivência, o cotidiano, o que é incômodo. Seus artistas convertem suas experiências numa existência inovadora, onde a conquista do ser e da própria identidade é, quase sempre, alcançada.

As grandes influências da arte feita na periferia vêm de lutas antigas por espaço e visibilidade. Artes que resgatam raízes, costumes, história. O hip hop, o grafite, o audiovisual independente, as danças folclóricas, a música alternativa. Tudo produzido num contexto árduo, com poucos recursos, pouco incentivo e um tanto de discriminação.

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